LINGUAGEM MÉDICA

CORRENTE DE INJÚRIA
CORRENTE DE LESÃO

        Ambas as expressões acima são usadas para designar a diferença de potencial que se estabelece em consequência da redução do suprimento de oxigênio em determinada área do miocárdio, que se traduz no eletrocardiograma por supra ou infradesnivelamento do segmento S-T, na dependência da derivação utilizada. Esta alteração é característica do infarto agudo do miocárdio.

        A expressão current of injury é própria da língua inglesa e tem sido traduzida em português ora por corrente de injúria, ora por corrente de lesão. Os médicos habituados à leitura do inglês empregam habitualmente corrente deinjúria em lugar de corrente de lesão.

        A palavra injury, em inglês, tem a acepção de dano físico, ferimento, lesão, sendo usada em expressões como bodly injury ou personal injury (lesão corporal), battle injury (lesão em combate), minor injury (ferimento leve).[1]

        A palavra injúria em português tem sentido diverso do inglês e é usada para exprimir ofensa à dignidade de uma pessoa. Por extensão, significa insulto, agravo, prejuízo, dano moral. Injuriar é assacar contra a honra de uma pessoa. O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 140, estabelece para o crime de injúria pena de detenção de um a seis meses.[2]

        Em medicina, a palavra injúria por vezes é empregada no sentido de ferimento causado por traumatismo. A expressão vernácula correspondente à current of injury, entretanto, não é corrente de injúria, como se vê em algumas traduções, e sim corrente de lesão, como se pode ler em bons livros de autores brasileiros.[3][4]

 

Referências bibliográficas

1. SELL, L.L. - English-portuguese comprehensive technical dictionary. São Paulo, Mc. Graw Hill do Brasil, 1974.
2. CÓDIGO PENAL, 23.ed. São Paulo, Ed. Saraiva, 1985, p. 154
3. LENGYEL, L. - Eletrocardiografia clínica. São Paulo, Sarvier, 1974.
4. TOCCHIO, H. - Interpretação clínica do eletrocardiograma. São Paulo, Liv. Atheneu, 1986.

 
Publicado no livro Linguagem Médica, 4a. ed., Goiânia, Ed. Kelps, 2011.  

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
e-mail: joffremr@ig.com.br
http://www.jmrezende.com.br