LINGUAGEM MÉDICA
 

DOSE, DOSAGEM

        Dose provém do grego dósis, ação de dar; aquilo que se dá; o que pode ser dado.[1][2]
        Como termo médico, dose expressa a porção ou quantidade de um medicamento que se administra ao paciente de cada vez ou em determinado período de tempo.
        De dose formou-se o verbo dosar, cujo sentido é o de estabelecer a dose ou quantidade de uma substância.
        Dosagem é composto de dose + sufixo -agem. Este sufixo, largamente utilizado em português origina-se do latim -aticum, através do francês -age. Indica coleção, estado, ação ou o resultado da ação. Em algumas palavras provém diretamente do latim, como em imagem (imago, ginis).[3][4][5]
        No caso de dosagem, o sufixo -agem denota ação, isto é, o ato de dosar. Por extensão, além desse sentido genérico, designa também a operação química destinada a quantificar uma dada substância contida em determinado meio. Ex.: dosagem da glicose, dosagem da uréia, da creatinina etc.
        É comum em escritos médicos o emprego de dosagem como sinônimo de dose, o que é incorreto.  Os melhores léxicos da língua portuguesa estabelecem claramente a distinção entre dose e dosagem.
        Dose refere-se a uma dada porção ou quantidade e dosagem à operação de dosar. Como assinala o mestre Pedro Pinto, "não se aplica ao doente, ao animal de laboratório, uma dosagem, mas uma dose, certa porção, dada quantidade".[6]
 

Referências bibliográficas

1. MACHADO, J.P. - Dicionário etimológico da língua portuguesa, 3.ed. Lisboa, Livros Horizonte, 1977.
2. BAILLY, A.- Dictionnaire grec-français, 16. ed. Paris, Lib. Hachette, 1950. Bailly, A., Dictionnaire grec-français, 16.ed., 1950
3. SAID ALI, M. - Gramática histórica de língua portuguesa, 3.ed. São Paulo, Melhoramentos, 1964, p.235
4. VASCONCELOS, C.M.- Lições de filologia portuguesa. Rio de Janeiro, Livros de Portugal, 1959., p.77
5. GOES, C. - Dicionário de afixos e desinências, 3.ed. Liv. Francisco Alves, 1937.
6. PINTO, P.A.- Dicionário de termos farmacêuticos. Rio de Janeiro, Ed. Científica, 1959. 

Publicado no livro Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004..  

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina
e-mail: joffremr@ig.com.br
http://www.jmrezende.com.br

10/9/2004.