LINGUAGEM MÉDICA
 

DIFICULDADES NO EMPREGO DO S E DO X
EM PALAVRAS INICIADAS POR E


        Palavras como espontâneo, estertores, estender, estranho, extensão, extrato, extenuante, expectante e outras similares, constituem verdadeiros tropeços em nossa escrita rotineira, quando por vezes titubeamos entre s ou x. Sobretudo em relação ao primeiro dos exemplos citados é freqüente o uso de x em substituição ao s – expontâneo em lugar de espontâneo.

        Como regra geral, as palavras que em latim se iniciavam por ex- mantiveram a mesma grafia ao passarem para o português. Ex.: expectorare, expectorar; expansione, expansão; expellere, expelir; experimentu, experimento; expiratione, expiração; extensione, extensão; extrinsecu, extrínseco.

        Já as palavras que se iniciavam por s em latim deram origem a derivados com es- em português. Ex: scapula, escápula; scrotu,escroto; spatula, espátula; spectru, espectro; speculare,especular; spiral, espiral; spontaneu, espontâneo; spuma, espuma; statura, estatura; sterile, estéril, stertore, estertor; strutura, estrutura.

        Há, contudo, exceções: algumas palavras que se escreviam com ex- em latim evoluíram para es em português. Ex.: excusare, escusar; excavare, escavar; exprimere, espremer; extendere, estender; extraneo, estranho.

        Convém ressaltar a incongruência de se escrever estender com es, e extensão com ex. Assim, entretanto, foi consagrado pelo uso e se encontra averbado nos melhores dicionários.

        Os termos médicos derivados de palavras gregas iniciadas por s também se escrevem com es em português. Ex.: escotoma, esclerótica, esfenóide, esplâncnico, estase, estenose, estroma, etc. Um equívoco primário consiste na confusão entre estase (do gr. stásis, parada, estagnação) e êxtase (do gr. ekstásis, pelo latim extase, enlevo).

        Também se deve distinguir estrato (do latim stratu), com o sentido de camada, de extrato ( do latim extractu), aquilo que se extraiu de alguma coisa.

        Na dúvida melhor será consultar um bom dicionário

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Publicado no livro Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004..  

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina
e-mail: joffremr@ig.com.br
http://www.jmrezende.com.br

10/9/2004.