LINGUAGEM MÉDICA
 

NECROSAR, NECROTIZAR
NECROSANTE, NECROTIZANTE

        Os dois verbos são sinônimos e significam "sofrer ou produzir necrose".

        Nékrosis é um palavra grega, conhecida desde os tempos homéricos, formada de nekrós, que primitivamente significava cadáver, + sufixo -sis.

        O termo foi introduzido no vocabulário médico por Aereteus, no século I d.C. e usado por Galeno no século II d.C. no sentido de mortificação de tecidos, de gangrena. Galeno também empregou o adjetivo nekroticós. O termo nékrosis foi trasladado do grego para o latim por Caelius Aurelianus no século V d.C.[1][2]

        Na formação de um verbo a partir de um nome, usa-se a flexão verbal –ar ou o sufixo –izar, oriundo do grego –izein.[3] No caso de necrose os dois processos foram utilizados, resultando em formas paralelas do verbo, ambas de uso corrente - necrosar e necrotizar.. Explica-se dessa maneira porque devemos escrever necrose com s e necrotizar com z.

        A mudança do s em t, tanto no adjetivo necrótico como no verbo necrotizar,  deve-se ao fato de que o sufixo –sis era primitivamente –tis.

        Os dicionários de Aurélio Ferreira e  Michaelis averbam somente necrosar, [4][5] enquanto o dicionário Houaiss e o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras abonam ambas as formas.[6][7]

        Houaiss deriva o verbo necrotizar diretamente do adjetivo necrótico.[6]

        Dos verbos necrosar e necrotizar formaram-se os adjetivos necrosante e necrotizante, os quais denotam a ação de produzir necrose.

        Qual das formas deve merecer a nossa preferência?

        Na literatura médica indexada pela BIREME predomina a forma necrotizante sobre necrosante.[8] Em 187 artigos em que a palavra aparece no título, 120 usaram necrotizante e 67 a forma necrosante, o que demonstra a preferência dos autores por necrotizante.
 

Referências bibliográficas

1.  MARCOVECCHIO, Enrico: Dizionario etimologico storico dei termini medici. Firenze, Ed. Festina Lente, 1993.   2. 2. 2.
2. DURLING, Richard J. – A dictionary of medical terms in Galen. Leiden, E.J.Brill, 1993, p. 244.
3. CÂMARA JR., J. Matoso: História e estrutura da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Padrão Ed., 1979
4. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda: Novo dicionário da língua portuguesa, 3.ed. Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1999.
5. MICHAELIS: Moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo, Cia. Melhoramentos, 1998.
6. HOUAISS, Antônio, VILLAR, Mauro de Salles – Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001
7. ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS: Vocabulário ortográfico da língua portuguesa, 3. ed. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1999.
8.. BIREME. Internet. Disponível em : http://bases.bireme.br/. Acesso em 16/11/2002.
 
 
Publicado no livro Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004..  

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina
e-mail: joffremr@ig.com.br
http://www.jmrezende.com.br

10/9/2004.