LINGUAGEM MÉDICA

PÓLIPO OU POLIPO

        A palavra pólipo originou-se do grego polypous, através do latim polypus. Etimologicamente quer dizer "de muitos pés", tendo sido primeiramente empregada para nomear um grupo de zoófitos que vivem no mar.

        Foi Celsus quem primeiro utilizou o termo em medicina, referindo-se ao pólipo nasal.[1]

        A palavra é paroxítona em grego e proparoxítona em latim. O fato do acento tônico recair nesta ou naquela sílaba na língua grega não implica, necessariamente, na sua manutenção em latim ou português. "Só por acaso a sílaba tônica grega continua a ser tônica em latim ou português" [2]. Já nas palavras de procedência latina, a permanência da sílaba tônica constitui uma das três leis fonéticas que presidiram a formação do nosso idioma. [3] Em latim, a penúltima sílaba deixa de ser tônica se for breve, como na palavra polypus. Neste caso, o acento recua para a antepenúltima sílaba.

        Quando a palavra em português não procede diretamente do grego e sim através do latim, devemos seguir a pronúncia latina; portanto, pólipo e não polipo.

        Pedro Pinto adverte que "é ruim a pronúncia com acento no i" [4], e Silveira Bueno julga que "a pronúncia polipo, errada, já vai sendo abandonada pelos médicos.[5] Em realidade, polipo continua a ser usado em linguagem médica, muito embora em uma proporção de 1:4 em relação a pólipo.[6]

        Os léxicos mais modernos, como o Aurélio, 3a. edição[7] e o Houaiss [8] só registram pólipo.

        Devemos, portanto, aceitar a forma proparoxítona, apesar da tendência da língua portuguesa para os vocábulos paroxítonos.

Referências bibliográficas

1. Celsus - De Medicina, VI.8 e VII.9. The Loeb Classical Library, vol.3, p. 245 e 365.
2. Louro, J.I. - O grego aplicado à linguagem científica Porto, Ed. Educação Nacional, 1940, p. 149.
3. Coutinho, I.L. - Pontos de gramática histórica, 5.ed. Rio de Janeiro, Liv. Acadêmica, 1962.
4. Pinto, P.A. - Dicionário de termos médicos, 8. ed. Rio de Janeiro, Ed. Científica, 1962.
5. Bueno, F.S. - Grande dicionário etimológico-prosódico da língua portuguesa. São Paulo, Ed. Saraiva, 1963.
6. Internet - Site de busca Google. Acesso em 11/12/2007.
7. Ferreira, A.B.H. - Novo dicionário da língua portuguesa, 3.ed. Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1999.
8. Houaiss, A., Villar, M.S. – Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.
 

Publicado no livro Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004..  

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina
e-mail: joffremr@ig.com.br
http://www.jmrezende.com.br

11/12/2007