LINGUAGEM MÉDICA
 

PROTRUSO, PROSTRADO, PROTRAÍDO

        Por vezes deparamos em textos médicos com as palavras protusoprostado e protaído e ficamos em dúvida se tais palavras estariam escritas corretamente. Não haveria um r na segunda sílaba? Não seria protruso, prostrado e protraído?

        Protruso significa elevado, saliente, protuberante. Ex.: "cicatriz umbilical protrusa". A forma correta é com r na segunda sílaba e assim também se deve escrever o substantivo protrusão. Talvez o equívoco se deva à analogia com protuberante.

        Protruso deriva do verbo latino protrudere (empurrar para a frente), enquanto protuberante deriva de outro verbo latino,  protuberare (fazer bojo). A grafia em português deve manter a mesma raiz da palavra latina que lhe deu origem, não se justificando, portanto, a síncope da letra r na segunda sílaba.

        Prostrado refere-se ao estado de debilidade e perda de forças, em consequência de uma doença ou fadiga extrema. Não devemos dizer que o doente está prostado e sim prostrado. O adjetivo prostado, assim como o substantivo prostação (sem o r) encontram-se averbados nos antigos dicionários de Moraes (1813)[1] e de Domingos Vieira (1871)[2], o que parece indicar terem sido usados no passado. Os léxicos contemporâneos, todavia, não os registram, e com razão, já que em latim se escreve prostratus, a, um e prostratio, onis.

        Do mesmo modo, não se deve dizer forma protaída de uma doença e sim protraída. Protraído é particípio de protrair, resultante do verbo latino protrahere, que significa espaçar, prolongar, adiar, demorar. Forma protraída de uma enfermidade é o mesmo que forma prolongada.

       Assim, as formas corretas são protruso, protrusão, prostrado, prostração e protraído. O equívoco mais frequente ocorre com a palavra protrusão. Nos artigos científicos indexados pela BIREME nos últimos 20 anos, protrusão foi empregada 31 vezes e protusão 21 vezes.[3]
 

Referências bibliográficas

1. MORAES SILVA, Antonio de: Dicionário da língua portuguesa. Lisboa, Typographia Lacerdina, 1813.
2. VIEIRA, Frei Domingos: Grande dicionário português ou Tesouro da língua portuguesa. Porto, Ernesto Chardron e Bartholomeu H. de Moraes, 1871-1874.
3. BIREME. http://www.bireme.br/ 17 de agosto de 2001

 Publicado no livro Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004..  

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina
e-mail: joffremr@ig.com.br
http://www.jmrezende.com.br

10/9/2004.