LINGUAGEM MÉDICA
 



        As gramáticas nos ensinam que a palavra pode ser adjetivo ou advérbio. Todo adjetivo concorda com o substantivo em gênero e número, enquanto o advérbio é invariável.
      , adjetivo, provém do latim solus, com o sentido de único, desacompanhado, sozinho. O latim possuía os três gêneros: solus para o masculino, sola para o feminino, e solum para o gênero neutro.
        No português arcaico chegou-se a usar soa para o feminino, que caiu em desuso, passando a forma masculina a representar os dois gêneros [1].
        A concordância, portanto, deve fazer-se apenas em número: "um homem só", "uma mulher só", "dois homens sós", "duas mulheres sós".
        O espanhol manteve os dois gêneros - solo e sola - e distingue o adjetivo do advérbio, acentuando este último - sólo.
      Só, advérbio, equivale a somente, unicamente, apenas, e é invariável. É importante, portanto, distinguir quando se trata de adjetivo ou de advérbio. As duas frases seguintes exemplificam as duas funções gramaticais da palavra só.

        Adjetivo: "Estes testes, por si sós, já permitem fazer o diagnóstico".
        Advérbio: "Só por estes testes já podemos fazer o diagnóstico".

        Quando usado no singular, o adjetivo pode, às vezes, confundir-se com o advérbio, dando à frase um sentido ambíguo. Ex.: "Eu só fiz a história clínica". Equivale a "Eu apenas fiz a história clínica". A distinção, neste caso, se faz pela pontuação.[2] Para indicar que se trata de adjetivo, a palavra deve ficar entre vírgulas: "Eu, só, fiz a história clínica", ou seja, "Eu  sozinho (sem auxílio de ninguém) fiz a história clínica.

        Em Porto Alegre há uma rua chamada SILVA SÓ. Tratar-se-ia, neste caso, de adjetivo ou advérbio? Ou de nome próprio? Qual a sua opinião? 

Referências bibliográficas

1. CUNHA, A.G  – Dicionário etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira S.A., 1986.
2. ALMEIDA, N.M. – Gramática metódica da língua portuguesa, 37. ed., São Paulo, 1992.
 

Publicado no livro Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004..  

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina
e-mail: joffremr@ig.com.br
http://www.jmrezende.com.br

10/9/2004.