LINGUAGEM MÉDICA
 

TAMPOUCO, TÃO POUCO

            Tampouco é advérbio de negação equivalente a "também não", "muito menos". [1]

            É incorreto usar-se a conjunção nem antes de tampouco.[2] Nem tem o mesmo significado de "e não". Desse modo, a expressão nem tampouco torna-se pleonástica, eqüivalendo a "e não, também não", repetindo-se a idéia de negação duas vezes com palavras diferentes.

            Também não se deve confundir tampouco com a expressão tão pouco, cujo sentido é o de "pequena quantidade", "diminuto", "escasso".

            Vejamos alguns exemplos colhidos em textos médicos indexados pela BIREME [3].

            A. Emprego correto de tampouco.

            1. "Não houve complicação importante e tampouco mortalidade nesta casuística estudada"
                GED 18:233, 1999

            2, "As alterações tomográficas tampouco permitiram distinguir os dependentes..."
                 Rev. Bras. Psiquiatr. 23:9, 2001.

            3. "Esse procedimento não alterou o crescimento longitudinal do osso e tampouco modificou a estrutura morfológica da placa de crescimento".
                 Rev. Bras. Ortop. 36:422, 2001.

            B. Emprego incorreto usando a expressão nem tampouco.

            1. "O fator infecção não modifica a intensidade do processo histopatológico e nem tampouco agrava o quadro de PA" (pancreatite aguda)
                 Rev. Hosp. Clin. Fac. Med. Univ. São Paulo 43:188, 1988

            2. "Não há diferença estatisticamente significativa entre os valores obtidos na população masculina e feminina, nem tampouco uma associação entre idade e parâmetros hemodinâmicos"
                 Arq. Bras. Oftalmol. 59:17, 1996

            3. "Não foi identificado nenhum fator predisponente para a doença, nem tampouco as evoluções foram diferentes entre os casos"
                 Arq. Neuropsiquiatr. 62: 119, 2004.

            C.  Emprego incorreto de tão pouco em lugar de tampouco.

            1. "Argumentam que esses instrumentos não substituem a fundamentação teórica da assistência, nem tão pouco a razão e o discernimento..."
                 Rev. Latino-americ. Enfermagem 10:709, 2002.

            2. "Não sendo excludentes, elas tão-pouco podem ser entendidas como complementares"
                 Psicol. teor. pesq. 3: set/dez, 1987

            3; "Os resultados positivos obtidos...não afastam a complexidade do tema da cooperação e tão pouco condenam ao fracasso as iniciativas autônomas"
                 Tese de Mestrado, ENSP, 2001

            D. Emprego correto da expressão tão pouco

            1. "Os autores fazem uma revisão da literatura e discutem a respeito desta doença que é tão pouco conhecida e estudada".
                 Rev. Bras. Neurol. 21:55, 1985

            2. "O presente trabalho propõe um novo enfoque sobre a origem feminina da Enfermagem, a partir da ótica arquetípica, e de suas características täo pouco mutáveis no decorrer da história".
                 Rev. Bras. Enfermagem 53:223, 2000.

            3. "Exorta o profissional de enfermagem a se mobilizar para esse aspecto da profissäo, täo pouco divulgado e täo interessante..."
                 Rev. Enfermagem UERJ (extra):119, 1996.

Referências bibliográficas

             1. HOUAISS, A., VILLAR, M.S. – Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001
             2. ALMEIDA, N.M. - Dicionário de questões vernáculas. São Paulo, Ed. "Caminho Suave" Ltda., 1981.
             3. BIREME - Disponível em http://www.bireme.br/ em 26/12/2004.

 Publicado no livro Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004..  

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina
e-mail: joffremr@ig.com.br
http://www.jmrezende.com.br

26/12/2004